
É o sonho de muitas, mas confesso que, para mim, nunca fez diferença. A minha imagem flutuando pelo corredor de uma igreja decorado com flores, vestida de véu e grinalda ao som de “My endless Love”, com o olhar focado no suposto príncipe encantado, definitivamente não fazia parte dos meus pensamentos descompromissados. Mas quando você é filha única mulher e decide juntar as escovas de dente, não tem escapatória. Seus ouvidos são inundados pelo discurso materno:
- Minha filha, não prive a sua mãe desse sonho. É a única alegria que me resta a esta altura da vida.
Eu não teria coragem de recusar um pedido tão choroso. Aceitei, mas ditei minhas condições: não quero decidir nada associado à cor de toalha, arranjo de mesa, lembrancinha, etc. Comprometo-me a estar lá na data e hora certa.
Casei-me em uma charmosa igrejinha no Ingá em Niterói, mas meu noivo era tijucano e a maior parte dos seus amigos morava do outro lado da ponte. O céu caiu no Rio de Janeiro e choveu torrencialmente. Para garantir, cheguei com dez minutos de antecedência, e confesso que estava começando a gostar daquele suposto contos de fada. Por causa da chuva a ponte fechou, e os padrinhos atrasaram. Como o padre não apoiava a tradição da noiva chegar atrasada, passados quinze minutos da hora marcada tive que tomar a atitude drástica de nomear convidados aleatórios para virarem “falsos” padrinhos.
As portas se abriram. Entrei de mãos dadas com o meu pai, morrendo de medo de tropeçar. Porque administrar um tombo de pernas trançadas com aquela saia justa de viscose e um véu de dois metros seria, pelo menos para mim, humanamente impossível. Fui avançando com passos de tartaruga. Eu só conseguia enxergar a fisionomia das pessoas no corredor num misto de abestalhamento com cara de alívio de quem fez xixi depois de segurar a bexiga por uma hora.
No meio do corredor, meu braço direito começou a doer. O buquê tinha uma base de madeira que pesava, pelo menos, 3 kg. Aliás, para que serve exatamente o buquê na hora da cerimônia? Se a função é decorativa, podíamos aplicar uma réplica no vestido para deixar livres as mãos da noiva.
- Minha filha, não prive a sua mãe desse sonho. É a única alegria que me resta a esta altura da vida.
Eu não teria coragem de recusar um pedido tão choroso. Aceitei, mas ditei minhas condições: não quero decidir nada associado à cor de toalha, arranjo de mesa, lembrancinha, etc. Comprometo-me a estar lá na data e hora certa.
Casei-me em uma charmosa igrejinha no Ingá em Niterói, mas meu noivo era tijucano e a maior parte dos seus amigos morava do outro lado da ponte. O céu caiu no Rio de Janeiro e choveu torrencialmente. Para garantir, cheguei com dez minutos de antecedência, e confesso que estava começando a gostar daquele suposto contos de fada. Por causa da chuva a ponte fechou, e os padrinhos atrasaram. Como o padre não apoiava a tradição da noiva chegar atrasada, passados quinze minutos da hora marcada tive que tomar a atitude drástica de nomear convidados aleatórios para virarem “falsos” padrinhos.
As portas se abriram. Entrei de mãos dadas com o meu pai, morrendo de medo de tropeçar. Porque administrar um tombo de pernas trançadas com aquela saia justa de viscose e um véu de dois metros seria, pelo menos para mim, humanamente impossível. Fui avançando com passos de tartaruga. Eu só conseguia enxergar a fisionomia das pessoas no corredor num misto de abestalhamento com cara de alívio de quem fez xixi depois de segurar a bexiga por uma hora.
No meio do corredor, meu braço direito começou a doer. O buquê tinha uma base de madeira que pesava, pelo menos, 3 kg. Aliás, para que serve exatamente o buquê na hora da cerimônia? Se a função é decorativa, podíamos aplicar uma réplica no vestido para deixar livres as mãos da noiva.
Quando cheguei ao altar, tive certeza de que ganhei alguns graus na minha escoliose. Começou a tão esperada cerimônia e a minha seqüência de furos.
A primeira gafe foi na hora da troca de alianças. O noivo fez o juramento e colocou a aliança delicadamente no meu dedo. Era a minha vez. Com a minha aliança no dedo e a dele na mão, o padre pediu que eu fizesse o juramento e beijasse a aliança. Eu beijei a minha. O padre disse:
- Não, você tem que beijar a dele.
Na hora do juramento quase matei o padre do coração. Ele pediu que eu repetisse:
- Eu, Tatiana, recebo você, Augusto, como o meu marido...
Eu falei:
- Eu, Tatiana, recebo você, Frederico, como meu marido...
O padre ficou mais branco que a hóstia, arregalou os olhos para mim e disse:
- O nome dele é Augusto!
Sussurrei para ele:
- O nome dele é Augusto Frederico, mas eu só o chamo de Frederico.
A cerimônia acabou e, ainda no altar, preparei-me para desfilar novamente no corredor. Estava posicionada ao lado direito do Fred e a supervisora do cerimonial pediu para eu ir para o lado esquerdo. Tinha que existir um ensaio geral para guardar tantos detalhes. Tentei segurar o buquê de halteres na mão esquerda para não sobrecarregar o braço direito, mas fui vetada. Além da câimbra no braço, quase tive paralisia no rosto de tanto sorrir para as pessoas que agora tinham aquela fisionomia de quem observa um filhotinho de cachorro.
Aliviada por ter chegado à entrada da igreja, ainda tive que enfrentar o corredor de amigos preparados para o bombardeio de arroz, tradição inventada por hindus e chineses. Se eu estava preocupada em conseguir tirar todos os grampos que a cabeleireira enfiou no meu cabelo para sustentar aquele ninho de rato, agora imaginava a quantidade de grãos que ia ter que catar. Sou a favor da noiva carregar um saquinho de milho e jogar de volta nos convidados como agradecimento.
Entrei no carro sem olhar para trás com medo de encontrar o olhar recriminador da supervisora do cerimonial pela minha gafe de eu ter entrado pelo lado direito do carro e não pelo esquerdo que era a regra. Encostei a cabeça no banco do carro aliviada e pensei: se esse casamento der errado e eu tiver que casar de novo, vou exigir um ensaio geral. Não deu certo, mas até o presente momento continuo curtindo minha solteirice.
A primeira gafe foi na hora da troca de alianças. O noivo fez o juramento e colocou a aliança delicadamente no meu dedo. Era a minha vez. Com a minha aliança no dedo e a dele na mão, o padre pediu que eu fizesse o juramento e beijasse a aliança. Eu beijei a minha. O padre disse:
- Não, você tem que beijar a dele.
Na hora do juramento quase matei o padre do coração. Ele pediu que eu repetisse:
- Eu, Tatiana, recebo você, Augusto, como o meu marido...
Eu falei:
- Eu, Tatiana, recebo você, Frederico, como meu marido...
O padre ficou mais branco que a hóstia, arregalou os olhos para mim e disse:
- O nome dele é Augusto!
Sussurrei para ele:
- O nome dele é Augusto Frederico, mas eu só o chamo de Frederico.
A cerimônia acabou e, ainda no altar, preparei-me para desfilar novamente no corredor. Estava posicionada ao lado direito do Fred e a supervisora do cerimonial pediu para eu ir para o lado esquerdo. Tinha que existir um ensaio geral para guardar tantos detalhes. Tentei segurar o buquê de halteres na mão esquerda para não sobrecarregar o braço direito, mas fui vetada. Além da câimbra no braço, quase tive paralisia no rosto de tanto sorrir para as pessoas que agora tinham aquela fisionomia de quem observa um filhotinho de cachorro.
Aliviada por ter chegado à entrada da igreja, ainda tive que enfrentar o corredor de amigos preparados para o bombardeio de arroz, tradição inventada por hindus e chineses. Se eu estava preocupada em conseguir tirar todos os grampos que a cabeleireira enfiou no meu cabelo para sustentar aquele ninho de rato, agora imaginava a quantidade de grãos que ia ter que catar. Sou a favor da noiva carregar um saquinho de milho e jogar de volta nos convidados como agradecimento.
Entrei no carro sem olhar para trás com medo de encontrar o olhar recriminador da supervisora do cerimonial pela minha gafe de eu ter entrado pelo lado direito do carro e não pelo esquerdo que era a regra. Encostei a cabeça no banco do carro aliviada e pensei: se esse casamento der errado e eu tiver que casar de novo, vou exigir um ensaio geral. Não deu certo, mas até o presente momento continuo curtindo minha solteirice.